Comportamento do Consumidor em 2021
Publicada por CRC do CECOA, em 2021-01-05 (há 4 meses)

Qual vai ser o comportamento consumidor em 2021?

Estamos todos na mesma posição. Apenas podemos especular sobre o que vai acontecer. Ninguém passou por uma experiência como esta. Ninguém tem mais experiência que todos os outros. Não há experts a quem recorrer. Só existem teóricos da experienciação que nunca foi experienciada por ninguém. Ninguém, é uma visão aterradora do nada, do vazio que nos espera. É um daqueles raros momentos na humanidade em que os teóricos da desgraça valem tanto como os arautos do sucesso. Ninguém pode ter certezas e todos podemos ser Nostradamus e fazer previsões sobre o que não sabemos que vai acontecer.

O ano de 2020 ficará conhecido como o ano da pandemia, com todas as consequências sociais, pessoais e económicas imediatas e que trará inevitáveis alterações no comportamento dos consumidores, já em 2021. Para além destas alterações comportamentais imediatas, estou convicto que assistiremos a alterações comportamentais significativas para a próxima década. A recessão económica que se segue, afetará significativamente as gerações mais novas, os Millennials, que serão, seguramente, os motores da economia na próxima década. As consequências imediatas serão ao nível de uma maior contenção nos gastos, mas, acima de tudo, numa maior responsabilidade financeira, optando-se por estilos de vida mais simples, com um maior grau de exigência e de transparência na relação com as empresas dos produtos consumidos.

O mercado está cada vez mais digitalizado. O que era expectável acontecer em vários anos, aconteceu em vários meses. Aceleram-se processos de interação digital entre consumidores e empresas, em vários segmentos etários, nomeadamente na geração com mais de 50 anos, tornando-os igualmente digitalizados.

Quais serão então as consequências, na prática, destas constatações? O que é que será mais significativo e importante para os consumidores?

A longevidade.

Em contraponto à tendência do descarta e deita fora, à efemeridade dos produtos de curta duração, que se danificam rapidamente, assistiremos a uma consciencialização de que produtos com maior longevidade de utilização, também são fundamentais para a sustentabilidade do planeta. Esta tendência acabará por tornar os consumidores mais preocupados com a sustentabilidade das linhas de produção dos fabricantes e valorizará os que forem mais transparentes e conscientes.

O olhar holístico sobre o bem-estar.

As preocupações com a saúde física e mental, nunca estiveram tão presentes na mente dos consumidores, como agora. Promover o bem-estar, impacta diretamente no nosso subconsciente. As empresas que desenvolverem estratégias para o fazerem e que melhor o saibam comunicar, mais facilmente terão a simpatia dos consumidores. O consumidor procurará em cada produto consumido, um sinal de bem-estar físico e/ou mental, independentemente da tipologia a que pertença.

Luta contra a solidão e o valor da experienciação.

A solidão, o isolamento, o não relacionamento exponencial em cadeia que tínhamos como normal e natural, desapareceu. Quando o ser humano é privado de um dos elementos da essência da sua natureza, reage, procurando adaptar-se a essa ausência. A procura por conexões virtuais, por uma maior interação com os fornecedores, será crescente. Interações que proporcionem a experienciação dos produtos on-line, redes sociais mais ativas, Blogs, assistências pós-vendas mais colaborativas, serão priorizadas pelos consumidores.

Procura pela transparência.

O consumidor dará cada vez mais valor a “ter confiança” nas empresas dos produtos que consome. A transparência na comunicação das empresas será, seguramente, um dos fatores determinantes do relacionamento, nos próximos anos. A responsabilidade corporativa das empresas e a sua comunicação, quando bem feitas, proporcionaram fidelização nos consumidores.

Prioridade à Segurança.

Em minha casa, no meu santuário, sinto-me seguro. Fora dele, estou inseguro. Este apelo do nosso cérebro primitivo, das emoções básicas, medo, recompensa, pesará significativamente nos próximos anos, pelo menos, até que o consumidor se volte a sentir seguro. Durante muito tempo, qualquer compra terá como “forças impulsoras” da decisão, o medo e a recompensa. Estes impulsores da decisão sempre estiveram presentes, mas agora, valem mais do que as emoções subjacentes ao prazer da compra. Os processos de compra, valorizarão o medo e todas as nossas decisões terão como fator determinante o medo, mesmo que não tenhamos consciência dele. Desenvolver uma estratégia de comunicação que anule o medo, será seguramente uma forma de ir de encontro ao comportamento do consumidor do “pós pandemia”.

Mas, e se do outro lado da pandemia estiver uma súbita vontade de consumo, de iniciativa empresarial, de apetência pelo supérfluo que fomos obrigados a negar durante estes longos 9 meses?? Alguém pode afirmar que esta não é também uma possibilidade?

De todas estas pseudo-certezas apenas uma se pode afirmar com segurança: o mundo será muito diferente em 2021. A minha esperança é que seja para melhor. Bom ano!

 

Rui Gaspar

Marketeer e Formador CECOA